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Mercado de café:

A semana foi de forte valorização nos mercados de café. Em Nova York, o contrato de dezembro do arábica fechou a 334,20 cents por libra-peso, alta semanal de 10,5%. Em Londres, o robusta para novembro encerrou a US$ 4.067 por tonelada, avanço de 15,9%. O movimento refletiu preocupações climáticas no Brasil, a queda nas exportações em julho, o impacto das tarifas norte-americanas e a redução dos estoques certificados, formando um quadro de oferta restrita no curto prazo.

Segundo a Sucafina, a tarifa de 50% dos EUA sobre o café brasileiro pressiona spreads e limita a oferta, já que produtores seguram vendas da safra 2025/26. Torrefadores americanos, que apostavam na reversão da medida, agora enfrentam custos maiores ou precisam ajustar seus blends, enquanto especuladores reforçam posições. A proximidade do EUDR, que entra em vigor em 31 de dezembro, pode levar torrefadores europeus a ampliar estoques.

As exportações brasileiras caíram 27,6% em julho, para 2,73 milhões de sacas, com recuos de 20,6% no arábica e quase 49% no robusta. No acumulado de janeiro a julho, o volume foi 21,4% menor que em 2024, com destaque para o robusta, em queda superior a 60%. A indústria americana, maior compradora global, já adia importações e recorre a estoques de curto prazo.

O clima no Brasil adiciona incerteza. Geadas pontuais em Minas Gerais e São Paulo trouxeram preocupação com a safra de 2026, embora sem grandes danos imediatos. A colheita do arábica se aproxima do fim com rendimento abaixo do esperado, afetado por estiagem no início do ano e temperaturas elevadas, que resultaram em grãos mais leves e maior índice de “moca”. Apesar disso, a safra de 2025 ainda supera a do ano passado, mas estimativas podem ser revisadas para baixo.

A redução das exportações brasileiras de robusta, somada à menor disponibilidade no Vietnã e às dificuldades de colheita na Indonésia, reforçou a valorização em Londres. A demanda firme diante de gargalos de oferta mantém o robusta em patamares elevados.

No curto prazo, tarifas, estoques em queda e clima adverso tornam o mercado sensível a notícias. A recente alta reflete tanto fundamentos de oferta restrita quanto fluxos especulativos, e a volatilidade deve seguir elevada, com torrefações possivelmente recorrendo aos estoques certificados para mitigar o impacto imediato das tarifas.

Mercado financeiro:

Global: a semana começou com futuros americanos e bolsas europeias em alta, alimentadas pela expectativa de avanços nas negociações comerciais (especialmente a trégua entre EUA e China) e pela leitura do CPI norte-americano que mostrou 0,2% no mês e 2,7% em 12 meses – números que mantêm a inflação acima da meta e, ao mesmo tempo, fizeram o mercado intensificar as apostas em cortes do Fed: a ferramenta CME FedWatch elevou para cerca de 92% a probabilidade de um corte de 25 pb em setembro. Esse otimismo foi parcialmente freado pelo PPI de julho, que surpreendeu a alta (0,9% m/m) e reduziu a convicção em cortes mais rápidos; a divulgação de dados chineses também trouxe sinais mistos (CPI estável e produção industrial em +5,7% a/a). No balanço, o ambiente global ficou de “risco controlado”: apetite por ativos de maior risco favorecido pela perspectiva de afrouxamento monetário, mas sujeito a episódios de volatilidade gerados por dados de inflação e por riscos geopolíticos (encontro Trump–Putin e evolução das negociações tarifárias).

Brasileiro: a pauta doméstica foi dominada pelo anúncio e pela assinatura da Medida Provisória “Brasil Soberano”, com linha de crédito de R$30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações e um conjunto de medidas (prorrogação de suspensão de tributos, aumento do benefício do Reintegra, compras governamentais etc.) desenhadas para mitigar os efeitos da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros. No cenário macro, o boletim Focus trouxe revisão marginal de projeções (IPCA 2025 para 5,05% e 2026 para 4,41%; Selic projetada em 15% para 2025 e 12,5% para 2026), enquanto o varejo e outros indicadores mostram ritmo moderado. Mercados locais reagiram com alívio contido às medidas de apoio, mas seguem sensíveis ao desfecho das negociações comerciais e ao impacto fiscal das ações anunciadas – fatores que continuarão a influenciar câmbio, juros e prêmios de risco nas próximas semanas.