Após o anúncio do governo dos EUA de uma tarifa de 50% sobre as importações de produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, o mercado de café foi diretamente afetado. A medida coloca em risco US$ 2 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, que em 2024 representaram cerca de 8,1 milhões de sacas — 18% das vendas totais do Brasil e 33% do volume importado pelos EUA.

Importadores americanos suspenderam novas compras, aguardando uma definição nas negociações. Enquanto isso, traders correm para antecipar o desembarque de café nos EUA antes da tarifa começar a valer. Algumas cargas estão sendo desviadas de outros portos para chegar mais rápido aos Estados Unidos, e estoques localizados no Canadá e México estão sendo redirecionados.

O Brasil é o principal fornecedor de café para o mercado americano, especialmente para as grandes indústrias e redes como Starbucks, Dunkin Donuts e Tim Hortons. O café brasileiro representa cerca de um terço do café usado nos EUA e é essencial para blends por suas características de corpo, doçura e acidez. A substituição por cafés de outras origens é considerada inviável a curto prazo, tanto por questões de sabor quanto de volume disponível.

O aumento da tarifa deve elevar os preços do café para os consumidores americanos, pressionar a indústria local e gerar instabilidade na cadeia global de fornecimento. A Associação Nacional do Café dos EUA (NCA) já iniciou conversas com o governo Trump para tentar retirar o café da lista de produtos tarifados, alegando a importância econômica e cultural da bebida no país.

No Brasil, cooperativas como a Expocacer e a Cooxupé acompanham o cenário com cautela. A Expocacer, que investiu em um hub logístico nos EUA, afirma que a medida pode afetar diretamente seus planos de expansão. Mesmo que os contratos em andamento estejam sendo cumpridos, não há novas negociações sendo fechadas com os EUA após o anúncio da tarifa.

Caso a medida se mantenha, o fluxo global de café deve ser reorganizado, com o Brasil redirecionando embarques para Europa e Ásia, e os EUA buscando novos fornecedores — o que será caro e logisticamente complexo.