Fonte: Notícias Agrícolas

Durante o 7º Fórum Café e Clima, realizado pela Cooxupé no dia 14 de agosto em Guaxupé/MG, especialistas discutiram os efeitos do clima nas lavouras e as previsões para as próximas safras.

Safra atual teve atraso e queda na qualidade

A safra de 2025 foi impactada por atraso na florada, devido à demora no retorno das chuvas, que só começaram em outubro de 2024. A falta de chuvas entre fevereiro e abril prejudicou a granação, comprometendo o peso e a densidade dos grãos. Segundo Guilherme Teixeira, da Cooxupé, o rendimento está baixo, exigindo mais volume colhido para o mesmo resultado final.

Também foi registrada maior queda de chumbinho e aumento na proporção de grãos tipo moca.

Previsões para 2026 apontam desafios

Para 2026, o cenário é considerado difícil. A redução no crescimento dos ramos, causada pelo atraso das chuvas, diminuiu o potencial produtivo, especialmente em lavouras de sequeiro. Eventos de geada e granizo também devem impactar a produção. Ainda é cedo para estimativas precisas, mas a expectativa já é de perdas.

Condições climáticas melhoram para 2025/26

Segundo o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, o ciclo 2025/26 tende a ser mais favorável. As chuvas devem chegar mais cedo, a partir de setembro, com continuidade ao longo da primavera, o que beneficia a florada. A possível formação do fenômeno La Niña pode ajudar a regular as temperaturas e aumentar a umidade, melhorando o enchimento dos grãos.

Ele alerta, porém, para o risco de múltiplas floradas, que não reduzem a produtividade, mas podem afetar a qualidade do café.

Manejo exige atenção em todas as fases

O professor José Donizeti Alves, da UFLA, reforçou a importância do manejo fisiológico do cafeeiro nas quatro fases principais: vingamento, chumbinho, expansão e granação. Apesar das boas previsões, ele recomendou cautela, pois o clima pode mudar rapidamente. Destacou também a importância de antecipar ações e fortalecer o sistema radicular, para garantir maior resistência à seca.